Ana Lúcia e Pat Martins perdidas em Ushuaia

As versões desse caso dependem da visão de quem estiver relatando. Claro que a minha vai ser muito diferente das protagonistas, mas nesse caso cabe a elas escrever a sua versão. Eu vou escrever a minha.

E tudo começou na tarde do dia 13/04, quando eu, Beth, Denise e Paty22 estávamos em uma agência de turismo pesquisando a respeito do passeio ao Parque Nacional do Fim do Mundo. Enquanto estava tentando entender a proposta da vendedora, ao lado havia um burburinho das demais falando alguma coisa. Logo em seguida Beth comentou que a Ana havia dito que estava com a calça suja e que iria com a Pat Martins comprar uma nova (ou pelo menos foi isso que entendi).

Quando saímos da agência não as avistamos e continuamos subindo pela Rua San Martin, pois elas não poderiam estar em outra rua. Claro que no meio do caminho nos deparamos com uma loja de couro em promoção e não resistimos e fomos dar uma olhada.

Como não é fácil controlar 4 mulheres em uma loja em promoção ficamos cerca de 1h lá. Talvez um pouco mais. Beth a toda hora demonstrava preocupação por não encontrar as desgarradas, mas eu, sinceramente, estava tranquila, devido a três razões bem simples: (1) porque Ana havia me dito dias atrás que eu queria controlar tudo e, então, resolvi ouvir o conselho dela e relaxar, (2) porque mais cedo eu estive caminhando com as 2 naquela rua e tínhamos visto que os preços eram altos, então considerando que a Ana estava em uma fase "mão-de-vaca" eu duvidava que ela iria parar na primeira loja e, que possivelmente estava caçando uma boa oferta e (3) porque a Ana é a aquela que chamávamos de fodástica (a que sabe tudo), então quando eu iria imaginar que ela se perderia?

Continuamos nosso trajeto e a Beth sempre preocupada. Em consideração a sua preocupação fui até um locutório e liguei para a cabana em que estávamos hospedadas. Falei com a dona de lá e depois de tentar falar com as duas cabanas verificamos que elas não haviam chegado.

Continuamos naquela rua e como já passava de 21h resolvemos pegar um táxi e voltar para a cabana. Claro que a Beth continuava preocupada, enquanto eu, apesar de em alguns momentos ter pensamentos de que poderia ter ocorrido alguma coisa, os espantava, afinal eu tinha as minhas 3 razões que se transformaram em pressupostos naquele momento.

Quando chegamos às cabanas fomos direto procurá-las. E nada. Imaginamos que estivessem na casa principal usando a internet, então Beth, Paty22 e Denise foram até lá. E eu fui me preparar para tomar banho. Alguns minutos depois as duas entraram em nossa cabana. Pelo tom da voz da Ana vi que tinha alguma coisa muito errada e fui para sala para ouvi-la.

Ela estava realmente possessa e só sabia repetir que não acreditava que as tínhamos abandonado naquele frio e que elas não sabiam voltar para casa, pois não sabiam o endereço e que ninguém conseguia ajudá-las, pois não sabiam onde ficava a cabana del sur.

Confesso que me senti muito mal com aquela situação, principalmente, porque me lembrei de uma vez que tive a minha primeira briga com a minha amiga Letícia porque ela me deixou um longo tempo na rodoviária de Teresópolis, esperando no maior frio. Então eu sabia que essa situação era péssima.

Fiquei por um longo tempo sentada, cabisbaixa ouvindo Ana falar e tentei explicar que não imaginávamos que elas estavam perdidas, mas ela estava irredutível e nada a fazia mudar de idéia. Depois de um tempo ela resolveu ir para a sua cabana tomar um banho e, então ouvi um pouco mais a Pat Martins reiterando o que a Ana já havia falado. Foi horrível!

Quando elas se foram, liguei para a casa principal e pedi para falar com Beth. E disse: Beth, f...

Imediatamente as meninas vieram até a nossa cabana e fomos para a outra falar com as perdidas. Chegando lá tive que ouvir novamente as reclamações da Ana e, continuava me sentindo muito mal com aquela situação. A Ana estava irredutível quanto ao posicionamento de que nós as havíamos abandonado no frio e que se fosse qualquer outra de nós teríamos ido atrás. Até que a Beth falou. E bastou a Beth rearfimar que não foi bem isso e que em momento algum havíamos deliberadamente agido com o intuito de abandoná-las que a Ana ficou calma, afinal como ela sempre dizia "a madrinha (Beth) é a madrinha" e o que a madrinha diz não tem como contestar.

No final, a Ana se acalmou, mas acho que ela vai jogar essa história na nossa cara, o resto de nossa vida. Também aprendemos muitas lições naquele dia. Algumas básicas, mas que havíamos deixado de lado, como perceber que todas devem ter o endereço de onde estávamos hospedadas, pois naquele dia eu era a única que havia levado os dados de onde estávamos.

Eu, também, tive a minha lição pessoal e a partir de agora vou tentar ignorar as minhas razões iniciais, afinal esse acontecimento me fez concluir que ninguém pode ser tão esperto que não possa se perder em uma cidade que tenha apenas uma rua principal.

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